Ação da Psoríase Brasil registrou 95 participações e mostrou que 43% das respostas indicaram baixo ou nenhum reconhecimento visual de condições como psoríase, dermatite atópica, hidradenite supurativa, vitiligo e alopecia areata
O que muita gente vê na pele ainda não sabe reconhecer pelo nome — e esse desconhecimento ficou evidente na Câmara Municipal de Porto Alegre. Durante ação realizada pela Psoríase Brasil nesta quarta-feira (8), um quiz interativo sobre doenças crônicas de pele mostrou o quanto condições que afetam a autoestima, a rotina, as relações sociais e a qualidade de vida de milhares de pacientes ainda são pouco compreendidas pelo público. Ao todo, 95 pessoas participaram da atividade, que registrou índice de reconhecimento visual de 1,59 em uma escala de 0 a 3, classificado como moderado.
O dado mais expressivo aparece na distribuição das respostas: apenas 24% indicaram reconhecimento alto das doenças apresentadas, enquanto 43% apontaram baixo ou nenhum reconhecimento. A pesquisa de reconhecimento visual foi realizada por meio de um totem interativo, no qual o público observava imagens relacionadas a diferentes doenças de pele e indicava o grau de familiaridade com cada condição.
A mobilização integrou a campanha “Cada história é única”, da Psoríase Brasil, e levou à Câmara painéis com relatos reais de pacientes, infográficos e atividade interativa sobre psoríase, hidradenite supurativa, dermatite atópica, vitiligo e alopecia areata. A iniciativa foi uma ação conjunta da associação com a Frente Parlamentar pela Psoríase e Outras Doenças Crônicas de Pele, presidida pelo vereador José Freitas.
Entre as doenças avaliadas no quiz, a hidradenite supurativa foi a menos reconhecida visualmente, com índice de 0,87 em 3, classificado como baixo. Mais da metade dos participantes (53%) afirmou nunca ter visto ou ouvido falar da doença, e 68% das respostas sobre hidradenite indicaram baixo ou nenhum reconhecimento. No outro extremo, o vitiligo apareceu como a condição mais reconhecida, com índice de 2,25 em 3, considerado alto. Esse contraste ajuda a mostrar por que ampliar a informação pública é essencial: quando uma doença é mais conhecida, há menos espaço para estranhamento, medo de contágio e mitos que reforçam o preconceito.
Na prática, esse desconhecimento pesa diretamente sobre a vida dos pacientes. Embora nenhuma dessas doenças seja contagiosa, muitas ainda são associadas a estigma, constrangimento, olhares invasivos e isolamento social. Em alguns casos, a falta de informação também contribui para a demora no diagnóstico e para a dificuldade de acesso ao cuidado adequado.
Na dermatite atópica, 52% das respostas indicaram baixo ou nenhum reconhecimento. Na psoríase, esse índice foi de 44%. Mesmo entre doenças mais presentes no debate público, como o vitiligo, os resultados mostram que o reconhecimento visual nem sempre se traduz em compreensão sobre impactos, tratamento, diagnóstico e necessidades dos pacientes.
Para a Psoríase Brasil, os dados reforçam a importância de levar a pauta para espaços públicos e de circulação institucional. Ao aproximar a população de imagens, relatos e informações qualificadas, a campanha busca transformar doenças muitas vezes tratadas como experiências individuais em uma discussão coletiva de saúde pública.
“Quando uma pessoa não reconhece uma doença de pele, ela também pode não reconhecer o sofrimento, a dor e o impacto emocional que existem por trás dela. A falta de informação alimenta preconceitos, atrasa diagnósticos e faz com que muitos pacientes se sintam sozinhos. Por isso, ocupar espaços públicos com essas histórias é também uma forma de cuidado”, destaca Gladis Lima, presidente da Psoríase Brasil.
A ação na Câmara Municipal de Porto Alegre marcou mais uma etapa do tour da campanha, que teve início no Rio Grande do Sul e seguirá para novos destinos. Depois da capital gaúcha, a mobilização passará por São Paulo, em agosto, e por Belo Horizonte, em setembro, antes de chegar ao Congresso Nacional, em novembro.
Mais do que medir conhecimento, o totem interativo mostrou o tamanho da distância entre ver uma doença e compreendê-la. Ao reunir dados, imagens e relatos reais, a mobilização reforçou que informação também é acolhimento — e que reconhecer uma doença de pele é o primeiro passo para reconhecer a história de quem convive com ela.
Exposição “Cada história é única” na Câmara Municipal de Porto Alegre
Quando: Até 10 de julho.
Onde: Câmara Municipal de Porto Alegre — Av. Loureiro da Silva, 255, Porto Alegre/RS.

