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Artigo do vereador José Freitas no Correio do Povo de hoje resgata a história de Pietro, de 8 anos, e chama atenção para a demora na oferta de terapias já incorporadas ao SUS

A fachada da Câmara Municipal de Porto Alegre ganhou luz roxa neste 23 de setembro, como parte das mobilizações pelo Dia Nacional da Conscientização sobre a Dermatite Atópica. A cor chama atenção para uma doença que pode se tornar visível na pele, mas cujos impactos vão muito além dela: noites sem dormir, dor, coceira, afastamento da escola, preconceito e uma jornada que pode se prolongar até o diagnóstico e o tratamento adequados. Neste ano, a data também vem acompanhada de uma cobrança que ganhou força na Capital: fazer com que tratamentos já previstos no Sistema Único de Saúde (SUS) cheguem, de fato, aos pacientes.

Em Porto Alegre, a conscientização sobre a dermatite atópica ganhou reconhecimento oficial quatro anos antes de alcançar dimensão nacional. Desde 2020, a data integra o calendário municipal por iniciativa do vereador José Freitas, presidente da Frente Parlamentar da Psoríase e Outras Doenças Crônicas de Pele, atendendo a uma demanda da Psoríase Brasil. Em âmbito nacional, a data foi instituída em 2024, pela Lei nº 14.916.

Mas a mobilização não ficou apenas na cor. A discussão ganhou espaço também nas páginas do Correio do Povo. O jornal publicou na edição de hoje o artigo Uma caixa de remédio e a esperança de ser criança”, assinado por José Freitas. O texto parte da história de Pietro, de 8 anos, para tratar do impacto que a dermatite atópica grave pode provocar na infância e da demora para que terapias já incorporadas ao SUS cheguem aos pacientes.

No artigo, o vereador lembra que, em maio de 2025, três portarias do Ministério da Saúde incorporaram novas opções para o tratamento da doença e estabeleceram prazo máximo de 180 dias para que a oferta fosse efetivada. Em novembro daquele ano, foi aprovado o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da dermatite atópica. Mesmo com as incorporações e o protocolo aprovado, a oferta ainda não se concretizou plenamente na rede pública, prolongando a espera de quem precisa dessas terapias e segue convivendo com os impactos da doença.

O papel está pronto. O remédio não chega”, resume Freitas no artigo. A frase traduz uma discussão que vem sendo levada pela Frente Parlamentar e pela Psoríase Brasil: a diferença entre a aprovação de um tratamento e sua chegada efetiva a quem precisa dele. Para algumas famílias, essa espera acaba levando à judicialização e faz com que a demora pelo tratamento se some ao sofrimento, às limitações e ao desgaste já impostos pela própria doença.

A história de Pietro ajuda a mostrar o que existe por trás dessa espera. Sua mãe, Dioneli Medeiros, levou à Câmara de Porto Alegre o relato de uma infância atravessada por internações, feridas, noites difíceis e meses longe da escola. No artigo publicado hoje, Freitas retoma essa experiência para defender que políticas públicas precisam chegar à vida real antes que a doença roube tempo demais de quem espera.

É esse contraste que dá sentido à iluminação da Câmara. O roxo torna a dermatite atópica visível por uma noite. Para quem convive com a doença, essa visibilidade é o começo de uma jornada que precisa avançar do reconhecimento dos sinais ao diagnóstico e, dele, ao acesso ao tratamento.

A mobilização em torno da dermatite atópica deixa, assim, uma mensagem simples, mas que ainda precisa se tornar realidade: é preciso conhecer a doença para reconhecê-la, e fazer com que esse reconhecimento leve ao diagnóstico no tempo certo e ao tratamentoque, por sua vez, precisa estar efetivamente disponível para quem precisa dele.

Confira abaixo o artigo na íntegra:

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