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Caso do pequeno Pietro, que chegou a ter 90% do corpo coberto por feridas, marcou reunião na Câmara de Porto Alegre, que definiu nova cobrança ao Ministério da Saúde

Aos 8 anos, o pequeno Pietro já sabe o que é passar noites sem dormir por causa da dor e da coceira, ser afastado da escola e voltar ao hospital recorrentemente. Morador de Cachoeirinha (RS), o menino convive com uma forma grave de dermatite atópica e, nos períodos mais críticos, chegou a ter cerca de 90% do corpo coberto por feridas abertas. Em 2025, quando tinha 7 anos, viveu um dos períodos mais difíceis da doença: foram cinco internações hospitalares e meses longe das aulas. A gravidade do quadro passou a atravessar praticamente todos os aspectos de sua infância.

Nesta terça (15), Pietro esteve na Câmara Municipal de Porto Alegre ao lado dos pais, Dioneli e Felipe Medeiros, para participar da reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) sobre “Dermatite Atópica: diagnóstico, tratamento e acolhimento na rede municipal de saúde”. O encontro foi solicitado pelo vereador José Freitas, presidente da Frente Parlamentar pela Psoríase e Outras Doenças Crônicas de Pele, junto à vice-presidente da Frente, Gladis Lima, que também preside a ONG Psoríase Brasil. 

Durante a reunião, representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre informaram que, após consulta ao Ministério da Saúde feita no próprio dia, ainda não há prazo para que os medicamentos aprovados e previstos no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da dermatite atópica, publicado em novembro de 2025, comecem a ser disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às crianças e adolescentes que atendem aos critérios para essas terapias.

A família levou ao debate a difícil experiência de quem percorreu uma longa jornada até conseguir diagnóstico, atendimento especializado e tratamento. “Eu não aceitava ver meu filho perdendo a infância por uma doença. Eu estava correndo contra o tempo para que ele voltasse a estudar, brincar, que fosse uma criança feliz. O tratamento começou em janeiro graças a uma doação, porque pela via judicial a medicação só chegou em março. Não foi o Estado que permitiu que ele voltasse à escola”, contou Dioneli. 

Ao lado da esposa, Felipe Medeiros mostrou aos presentes o que essa espera representou para a família. “Esse é o Pietro, quero que vocês olhem pra ele. O que vocês conseguem ver é uma criança, e um ano da infância dele foi roubado. Da minha esposa também: um ano inteiro, ela passou em um hospital”, afirmou. Na sequência, o próprio Pietro agradeceu à mãe pela luta ao seu lado. “Ela fez tudo isso por mim. Tudo o que eu passei, eu agradeço a ela e a Deus”, disse o menino.

30ª Reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da CMPA, com o tema “Dermatite Atópica: diagnóstico, tratamento e acolhimento na rede municipal de saúde”. Na imagem, Pietro Medeiros e seu pai.

Para a presidente da Psoríase Brasil, o relato da família traduz uma dificuldade enfrentada por outros pacientes: o tempo perdido entre o diagnóstico correto e o acesso ao tratamento. “Muitas vezes, esse paciente fica rodando na atenção primária até conseguir chegar a um especialista. Quando o diagnóstico vem, a doença já está grave. E, mesmo quando existe tratamento, ainda esbarramos na demora para que ele de fato chegue a quem precisa”, destacou. “O PCDT da dermatite atópica foi publicado 10 meses, mas os medicamentos ainda não estão disponíveis. Está tudo enterrado em burocracias. A saúde não pode estar atrelada a burocracias. Precisamos diminuir essa jornada”, defendeu Gladis Lima.

A reunião contou ainda com a participação da Dra. Cláudia Reck, coordenadora da Atenção Especializada da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, que representou a pasta no encontro. Também participou a farmacêutica Alice Velho, da Farmácia de Medicamentos Especiais, que explicou como funciona o acesso a medicamentos de alto custo pelo SUS e a divisão de responsabilidades entre União, Estado e Município.

A reunião dá continuidade a uma cobrança que já vinha sendo feita pela Frente. Em agosto, José Freitas encaminhou à Secretaria Municipal de Saúde o Pedido de Informação nº 460/2026, solicitando dados sobre a assistência prestada a pacientes com dermatite atópica em Porto Alegre, incluindo demanda, tempo de espera, atendimento especializado e tratamentos disponíveis.

Diante da ausência de prazo para o acesso às novas terapias, José Freitas anunciou que a Frente Parlamentar, seu gabinete e a própria Cosmam voltarão a oficiar o Ministério da Saúde. “Não vamos desistir. Vamos trabalhar para sensibilizar e reforçar junto ao Ministério para que essa medicação esteja disponível o quanto antes, para que outras pessoas não precisem passar por tudo o que essa família passou”, afirmou o vereador, comovido.  

A reunião ocorreu a poucos dias do Dia Nacional da Conscientização sobre a Dermatite Atópica, celebrado em 23 de setembro. Como parte das mobilizações deste ano, a Câmara Municipal aprovou a iluminação do prédio do Legislativo em roxo nos dias 22 e 23 de setembro.

Acompanhe a rotina do Pietro em: https://www.instagram.com/mae.de.atopico.
Campanha pelo Pietro: https://ajud.ar/pietro

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