Mobilização no saguão da Assembleia Legislativa do RS combinou exposição, informação e participação do público; mostra segue aberta até 19 de junho
Em apenas quatro horas, 244 pessoas pararam no saguão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) para testar o quanto sabiam reconhecer doenças crônicas de pele. O resultado, com média de 60% de acertos no quiz interativo, mostrou que o tema atravessa a vida de muita gente, mas ainda chega cercado de dúvidas, desinformação e preconceito. Para parte do público, a experiência foi mais do que informativa: foi também uma forma de reconhecer sintomas, histórias familiares e vivências que, muitas vezes, permanecem sem nome.
A atividade fez parte da ação de conscientização realizada na terça (16) pela Psoríase Brasil e pela Frente Parlamentar de Combate às Doenças Crônicas e Autoimunes de Pele, no saguão de entrada da ALRS. Integrada à campanha “Cada história é única”, a mobilização levou ao espaço painéis, banners, infográficos e um totem interativo sobre condições como psoríase, hidradenite supurativa, dermatite atópica, vitiligo e alopecia areata. A exposição segue aberta ao público até 19 de junho.
O totem convidava os visitantes a identificar doenças de pele a partir de imagens de lesões. Entre as condições apresentadas, o vitiligo teve o maior índice de reconhecimento, com 78% de acertos, enquanto a psoríase teve o menor, com 45%. Os números ajudam a traduzir um dos objetivos centrais da campanha: mostrar que dar nome, informação e contexto às doenças crônicas de pele é essencial para reduzir preconceitos, ampliar o diagnóstico e acolher quem convive com elas.
Ao circular pelos painéis e participar do quiz, parte do público não apenas conheceu melhor as condições retratadas, mas também reconheceu histórias próximas. Visitantes relataram já ter tido contato com algumas enfermidades, por experiência própria ou de familiares, mas sem compreender plenamente seus impactos físicos, emocionais e sociais. Esse foi um dos principais efeitos da mobilização: transformar uma pauta muitas vezes vista como distante em algo concreto, ligado à vida cotidiana.
Entre as pessoas que passaram pela exposição estava Lúcia Medeiros Müller, que participou do quiz interativo e se identificou com os relatos apresentados nos painéis. Diagnosticada com dermatite atópica após um período de dúvidas e investigação, ela conta que a ação ajuda a traduzir uma experiência que vai além dos sintomas visíveis. “O diagnóstico não foi apenas sobre a pele. Foi também um convite para prestar atenção em mim, no meu corpo, nas minhas emoções e nos sinais que muitas vezes ignoramos. Ações como essa trazem luz, informação e acolhimento para temas que muitos acreditam conhecer, mas que ainda representam uma realidade difícil para quem convive com doenças de pele”, relata Lúcia.
Paciente de psoríase e artrite psoriásica há mais de 40 anos, Silvia Cardoso Nowtzki também reforça a importância de ações que deem voz a quem convive com essas condições. Na infância, ela lembra que quase ninguém sabia o que era psoríase, e o medo do preconceito fazia com que evitasse situações simples, como aulas de educação física. “Eu deixava de fazer coisas simples por medo de que vissem minhas lesões e achassem que era contagioso. Por isso, ver essas histórias ocupando a Assembleia é muito significativo. Com informação, acolhimento e ações como essa, existe luz no fim do túnel. Para mim, existiu”, afirma Silvia, que hoje vive uma fase de controle da doença após uma trajetória marcada por crises severas, incluindo uma internação com quase todo o corpo tomado por lesões.
A partir dos relatos de Lúcia, Silvia e de outras pessoas que passaram pela exposição, a ação mostrou que informar também é acolher. Ao aproximar dados, imagens e experiências reais, a campanha reforçou que a conscientização sobre doenças crônicas de pele precisa ir além dos sintomas: passa por escuta, reconhecimento e combate ao preconceito que ainda acompanha muitos pacientes.

Exposição “Cada história é única”
Onde: Saguão de entrada da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul
Praça Marechal Deodoro, 101, Porto Alegre/RS.
Até quando: 19 de junho.


