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Projeto Ar, Água e Terra apresenta na SOBRE2026 resultados construídos em 11 aldeias, com mais de 60 mil mudas plantadas e 91% da área mapeada conservada

A articulação entre ciência, saberes tradicionais, participação social e políticas públicas está no centro da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, um dos principais encontros dedicados ao tema no país. É nesse espaço que o Projeto Ar, Água e Terra apresenta a experiência construída com comunidades Guarani do Rio Grande do Sul (RS) e mostra como o protagonismo indígena pode orientar a recuperação e a gestão sustentável dos territórios.

Promovida pela Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE), a Conferência ocorre de 27 a 31 de julho, na Universidade de Brasília, com o tema “Inclusão e Justiça Climática”. A programação reúne povos indígenas, pesquisadores, gestores públicos, organizações sociais e profissionais da cadeia da restauração em plenárias, encontros e apresentações de experiências desenvolvidas em diferentes regiões do Brasil.

A presença indígena ganhou destaque antes mesmo da abertura oficial. Nos dias 25 e 26 de julho, o II Encontro Indígena de Restauração Ecológica (EIRE) reuniu mais de 40 lideranças de 38 etnias para compartilhar experiências relacionadas à recuperação de áreas degradadas, produção de mudas nativas, sistemas agroflorestais, conservação da biodiversidade, gestão territorial e enfrentamento das mudanças climáticas. O encontro antecedeu a Conferência e ampliou a participação indígena na programação realizada ao longo da semana.

O Projeto esteve representado no II EIRE pelo cacique Valdecir Xunu Moreira, da Teko’a Pindó Mirim (Aldeia dos Coqueirinhos/Palmeirinhas), em Viamão. Selecionado para participar do encontro, ele também leva a arte Guarani ao espaço de artesanato da Conferência.

A participação dos povos indígenas se articula a outros eixos da programação, entre eles a governança da restauração, a agenda do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), a relação entre conservação e recuperação de áreas degradadas e os mecanismos de financiamento.

Na sexta (31), às 10h30, a bióloga Denise Wolf, coordenadora do Ar, Água e Terra, apresenta o trabalho “Experiências, percepções e resultados do Projeto Ar, Água e Terra com aldeias Guarani no RS”. Presidente do Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM), ela participa da agenda representando o Projeto, o Instituto e a Rede Sul de Restauração Ecológica.

Realizado pelo IECAM em parceria com comunidades Guarani, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o Projeto adota uma metodologia participativa na qual os Guarani identificam demandas e constroem, junto às equipes técnicas, as soluções aplicadas nos territórios. Na prática, essa atuação envolve viveirismo, etnomapeamento, recuperação de áreas degradadas, implantação de roças tradicionais, sistemas agroflorestais e intercâmbio de sementes, mudas e conhecimentos entre aldeias.

Os dados reunidos no trabalho incluem o cultivo de mais de 30 mil mudas em dois Yvyrenda, os viveiros-estufas implantados nas aldeias, e o plantio de mais de 60 mil mudas de cerca de 100 espécies da flora, principalmente nativas e entre as mais ameaçadas da Região Sul do país. O levantamento registra ainda mais de 27 hectares de áreas recuperadas ou em recuperação, 45,25 hectares destinados à reconversão e à restauração produtiva, e 3.311 hectares classificados como áreas de conservação ou preservação — o equivalente a 90,92% do território mapeado.

“Levar essa experiência para um encontro nacional é mostrar que a restauração ecológica ganha força quando é construída com quem vive e conhece o território. Os resultados ambientais caminham junto com a segurança alimentar, a autonomia das comunidades e a valorização dos conhecimentos Guarani”, destaca Denise Wolf.

A participação do Ar, Água e Terra insere uma experiência concreta em um debate que atravessa a Conferência: restaurar não significa apenas plantar árvores, mas articular governança, políticas públicas, conhecimentos e participação das pessoas que vivem nos territórios. É nessa perspectiva que o trabalho se conecta ao tema “Inclusão e Justiça Climática”, tratando a inclusão não como uma etapa paralela, mas como parte do próprio processo de restauração.

A bióloga Denise Wolf, coordenadora do Projeto Ar, Água e Terra e presidente do IECAM, ao lado do pôster que apresenta os resultados do trabalho desenvolvido com aldeias Guarani no Rio Grande do Sul, durante a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, em Brasília.

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