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Ação do Projeto Ar, Água e Terra levou saberes tradicionais ao público em um dos espaços mais movimentados de Porto Alegre, promovendo encontro entre cidade e territórios indígenas

Em meio ao fluxo intenso de visitantes que movimenta o Brique da Redenção — feira que chega a reunir até 50 mil pessoas no Parque Farroupilha aos domingos —, a cultura Guarani encontrou espaço para algo menos comum naquele cenário: a escuta. No último domingo (26), o Projeto Ar, Água e Terra, realizado pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM), promoveu uma ação aberta ao público que aproximou moradores da Capital dos saberes, modos de vida e da produção cultural de comunidades indígenas no Rio Grande do Sul.

Ao longo do dia, o espaço montado pelo projeto funcionou como ponto de encontro entre diferentes realidades. Entre conversas espontâneas, curiosidade do público e troca direta com representantes indígenas e equipe técnica, visitantes puderam conhecer mais sobre o processo de produção do artesanato, a relação com o território e o cotidiano nas aldeias. As peças expostas — feitas a partir de matérias-primas nativas e técnicas transmitidas entre gerações — despertaram interesse não apenas pelo valor estético, mas pela história que carregam.

Mais do que uma ação pontual, a presença do Projeto no Brique evidenciou o potencial de aproximação entre o urbano e o tradicional quando mediado por experiências concretas. Em um espaço marcado pela diversidade de expositores e pela circulação massiva de público, o contato direto com integrantes das comunidades Guarani criou um ambiente de troca que ultrapassa a lógica da exposição e se aproxima da vivência.

Espaço montado pelo Projeto Ar, Água e Terra no Brique da Redenção reuniu exposição de artesanato Guarani e conversas com o público, criando um ponto de encontro entre saberes tradicionais e a dinâmica urbana.
Espaço montado pelo Projeto Ar, Água e Terra no Brique da Redenção reuniu exposição de artesanato Guarani e conversas com o público, criando um ponto de encontro entre saberes tradicionais e a dinâmica urbana.

A iniciativa integrou as ações do Mês dos Povos Indígenas e reforça uma das diretrizes do Projeto Ar, Água e Terra: tornar visível, também nas cidades, um trabalho que se desenvolve, em grande parte, nos territórios indígenas. Realizado com dez aldeias Guarani no estado, o Projeto atua na valorização dos saberes tradicionais, na restauração produtiva, na segurança alimentar e na gestão sustentável dos territórios.

Ao levar essa experiência para um dos espaços públicos mais emblemáticos da Capital, o IECAM amplia o alcance do Projeto e contribui para uma mudança de perspectiva: reconhecer que os saberes indígenas não pertencem apenas aos territórios onde são originados, mas também têm lugar — e relevância — no cotidiano urbano.

Guarani Alzira e equipe técnica do IECAM reunidos em frente ao Monumento ao Expedicionário.
Guarani Alzira e equipe técnica do IECAM reunidos em frente ao Monumento ao Expedicionário.

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