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Levantamento obtido pela Psoríase Brasil junto à Secretaria da Saúde do RS revela gargalos no acesso à especialidade e reforça a urgência por avanços na atenção dermatológica pública

A associação de pacientes Psoríase Brasil obteve, junto à Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES RS), dados atualizados que escancaram a dificuldade de acesso à consulta dermatológica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. De acordo com a resposta encaminhada pela SES RS em maio, mais de 21 mil pessoas aguardavam a primeira consulta com um dermatologista na rede pública estadual.

O pedido de informações foi feito oficialmente pela entidade em 29 de abril, por meio de ofício endereçado ao deputado estadual Dr. Thiago Duarte, presidente da Frente Parlamentar pelas Doenças Crônicas de Pele do RS, para encaminhamento à Secretaria. O documento solicitava dois dados essenciais: o número de pacientes na fila para a primeira consulta com dermatologista, por região do estado, e a quantidade de profissionais disponíveis para atendimento em cada localidade.

De acordo com a resposta técnica da Secretaria, a fila somava 21.567 solicitações em 8 de maio, reunindo dados de todas as 18 Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS). O volume refere-se exclusivamente a primeiras consultas em dermatologia, contemplando subespecialidades como dermatologia geral, adulta e pediátrica. A regulação do acesso a essas consultas é descentralizada: o cadastro é feito por cada município, e a gestão das filas cabe às centrais regionais.

A SES também pontuou que, no GERCON (sistema utilizado para gerenciar solicitações de consultas especializadas no estado), não é possível identificar a patologia associada a cada solicitação. Isso significa que o número total inclui casos diversos, como psoríase, hanseníase, câncer de pele, entre outros — o que limita a formulação de políticas específicas voltadas a doenças crônicas ou imunomediadas.

Com relação ao número de profissionais, o órgão informou que os contratos do SUS são firmados com os serviços de saúde (como hospitais e ambulatórios especializados) e não diretamente com os médicos. Cada unidade define sua equipe conforme metas de atendimento estipuladas em contrato. Como resposta, a SES encaminhou a relação de serviços com oferta de consultas dermatológicas cadastradas no sistema, mas não apresentou o quantitativo de dermatologistas por região, conforme solicitado pela entidade. A ausência desses dados detalhados, somada à alta demanda reprimida, evidencia a necessidade de revisão na estrutura de atendimento dermatológico no RS.

Diante desse cenário, a Psoríase Brasil reforça a importância de sua atuação na representação dos pacientes e na cobrança por avanços concretos no acesso ao especialista no SUS. “Quando mais de 21 mil pessoas aguardam por uma consulta dermatológica, estamos diante de um problema sério de saúde pública, que precisa ser tratado com prioridade. É preciso romper esse ciclo de negligência e garantir que todos tenham acesso ao cuidado especializado que merecem. No caso das doenças crônicas de pele, a falta de dados específicos torna esses pacientes ainda mais invisíveis, dificultando o planejamento de políticas públicas e perpetuando a exclusão dentro do próprio SUS”, afirma Gladis Lima, presidente da Psoríase Brasil.

A iniciativa integra as ações de advocacy da associação, que atua para fortalecer a atenção dermatológica e garantir que pessoas com doenças crônicas de pele tenham seus direitos respeitados na rede pública. Mais do que números, trata-se de garantir dignidade e cuidado para milhares de brasileiros que ainda enfrentam obstáculos inaceitáveis para acessar um direito básico — a saúde.

Fonte: Secretaria Estadual da Saúde do RS / GERCON – Dados extraídos em 8 de maio de 2025 pela Divisão de Apoio às Centrais de Regulação (DACR/DRE).
Fonte: Secretaria Estadual da Saúde do RS / GERCON – Dados extraídos em 8 de maio de 2025 pela Divisão de Apoio às Centrais de Regulação (DACR/DRE).

🔗 Acesse o documento do SES RS na íntegra clicando aqui.

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